Entenda a diferença entre cirurgia robótica , laparoscópica e aberta para o tratamento do câncer de próstata. 


Cirurgia minimamente invasiva para o tratamento do câncer de próstata localizado. 


História


A prostatectomia radical laparoscópica é o tipo de cirurgia na qual o cirurgião introduz finas pinças e uma micro câmera, através de pequenos orifícios no abdômen. 
Esse método evita grandes incisões e proporciona uma recuperação pós operatória mais rápida e com menos dor. Além disso, em alguns casos favorece menor sangramento durante a cirurgia.
Estudos indicam que seus resultados são equivalentes, quando comparados aos da cirurgia aberta, na eficácia da remoção do câncer, recuperação da continência urinária, da potência sexual, no tempo de internação hospitalar e convalescência. 
Em 1997, um pequeno grupo de cirurgiões Franceses, sob a liderança do Dr. Guy Vallancien e Bertrand Guillonneau executaram pela primeira vez esse tipo de cirurgia de forma bem-sucedida. 
Desde então a técnica se disseminou pelo mundo e recebeu inúmeros melhoramentos.
Mais recentemente a utilização de um sistema de manipulação das pinças cirúrgicas, através da utilização de um equipamento com braços robóticos controlados pelo cirurgião, diretamente de um console, aumentou o grau de refinamento técnico e proporcionou a realização de procedimentos com maior grau de complexidade. 
A técnica moderna de cirurgia laparoscópica e robótica para a remoção da próstata é uma adaptação da técnica clássica descrita pelo Dr. Patrick Walsh em 1980, Baltimore, EUA. 
Dessa forma, ao invés de utilizar uma única grande incisão abaixo do umbigo, o cirurgião usa pequenos orifícios no abdômen para introduzir de quatro a seis pinças e uma câmera, de forma a remover a próstata envolvida em uma bolsa plástica através de uma das incisões. 
Os pontos a seguir, são importantes no entendimento do que acontece durante e imediatamente após qualquer procedimento cirúrgico da próstata. 
Como todos os tipos de prostatectomia, o procedimento é realizado sob internação hospitalar, com anestesia geral. 
O cirurgião faz pequenas incisões na parte inferior do seu abdômen. Ele e sua equipe manipulam diversos instrumentos cirúrgicos e uma micro câmera. 
Assim como na cirurgia aberta, a operação inclui a remoção da próstata, das vesículas seminais e, quando necessário, alguns gânglios ao redor do órgão que podem estar comprometidos - casos onde a doença disseminou. 
Após a remoção completa dos órgãos relevantes, o cirurgião irá reconectar sua uretra à sua bexiga, restabelecendo assim a função normal da micção.
Todos os pacientes operados necessitarão de uma sonda urinária, que nada mais é do que um tubo flexível de silicone introduzido através do seu pênis e posicionado dentro da bexiga. Para evitar com que o tubo não saia do lugar correto, um pequeno balão na sua ponta é insuflado com água. Você receberá alta hospitalar usando essa sonda.
O tempo de permanência da sonda varia de sete a 21 dias. 
Os fatores que influenciam o tempo de permanência da sonda estão relacionados ao estágio em que a doença foi descoberta, o grau de comprometimento e outros órgãos ao redor da próstata, assim como a técnica cirúrgica utilizada.
Há uma tendência de menor tempo de utilização da sonda para os homens operados pela técnica robótica.
A cirurgia costuma durar de aproximadamente 90 minutos a 4h00 e depende de fatores como: o tamanho e forma da próstata, o seu tipo corporal, a necessidade ou não de remoção de gânglios , assim como a experiência do time cirúrgico. 
O tempo de internação costuma variar de 24h a três dias. A recuperação cirúrgica costuma ser pouco dolorosa e requer apenas uma alimentação controlada, evitar atividades físicas e ingerir grande quantidade de líquidos.
Comumente, não há a necessidade da utilização de antibióticos por tempo prolongado após a cirurgia.
Quem é o paciente ideal para esse tipo de procedimento?
Todo homem que apresenta o câncer de próstata localizado, ou seja aquele em que a doença se encontra apenas dentro da glândula e não há qualquer sinal de disseminação para outros órgãos.
Quais são os resultados que você pode esperar após a cirurgia?
Todos os dados da literatura sugerem que, quando realizada por um cirurgião treinado e experiente, a cirurgia laparoscópica ou robótica tem resultados semelhantes aos obtidos com a técnica de cirurgia aberta tradicional. A grande diferença entre as técnicas mais modernas em relação a técnica aberta tradicional esta em uma tendência à recuperação mais rápida da continência urinária, menor perda de sangue durante a cirurgia e menores índices de dor no pós-operatório. 
É importante deixar claro, que independente do método utilizado, deve se levar em conta o grau de experiência do cirurgião em relação ao seu número de casos já realizados.
A cirurgia para remoção da próstata é considerada um procedimento de alta complexidade, onde o cirurgião deve passar por uma longa curva de aprendizado para atingir resultados de excelência.
O número necessário de cirurgias ainda é tema de debate entre urologistas. Entretanto, estima-se que entre 150 e 200 casos o cirurgião atingirá o controle absoluto da técnica cirúrgica. 
Sendo assim, cirurgiões que costumam realizar esse procedimento com maior frequência tendem a ter melhores resultados de controle do câncer, recuperação da continência urinária e manutenção da função sexual.
A maior parte dos pacientes submetidos ao procedimento de remoção da próstata devem recuperar níveis de continência urinária dentro de algumas semanas. 
A chance da ocorrência de incontinência definitiva depende de alguns fatores associados, como: o grau de comprometimento dos tecidos ao redor da próstata pelo câncer, sua idade, obesidade, tabagismo e algumas anormalidades do funcionamento da bexiga presentes antes da cirurgia. 
Quando nenhum desses fatores está presente, o risco de incontinência gira em torno de três a 5%. 
A recuperação da ereção geralmente demora mais tempo. Mesmo nos casos onde os nervos que conduzem o estímulo da ereção não estão comprometidos pela doença e são totalmente preservado durante a cirurgia, ainda existe a possibilidade de dificuldade para iniciar e manter a ereção após a remoção da próstata. 
Isso ocorre, pelo simples fato de toda e qualquer manipulação dessas estruturas delicadas pode levar a danos permanentes na condução do estímulo elétrico.
Assim como a recuperação da continência urinária depende de múltiplos fatores, com a ereção não é diferente.
As evidências na literatura médica são controversos, mas sugerem uma ligeira vantagem para melhores resultados da cirurgia robótica em relação à técnica aberta tradicional. 
De forma rotineira utilizamos medicações que estimulam a recuperação da ereção logo na primeira semana após a cirurgia.
Mas a reabilitação definitiva é um processo que pode demorar de 12 a 18 meses em alguns casos. 
Nos casos onde essas medidas não mostrar um efeito, existem outras abordagens como medicações injetáveis e, em último caso, o implante de prótese peniana como tratamento definitivo para a disfunção erétil pós o tratamento do câncer de próstata. 
O mais importante é entender que o tratamento do câncer de próstata envolve: 1- uma avaliação criteriosa de sua saúde como um todo; 2- o grau de comprometimento de estruturas nobres pelo câncer de próstata; 3- a técnica cirúrgica utilizada, assim como a experiência do time cirúrgico.
Eu espero que essas informações tenham sido úteis para que você se mantenha informado sobre as opções de tratamento do câncer de próstata.
Obrigado e até a próxima. 

Comentários

  1. Agradeço às informações, pois fiz a prostatectomia radical à 20 dias e ainda sofro de incontinência urinária. Suas informações me deixaram mais tranquilo.

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    1. Fico feliz em saber que essas informações foram úteis.
      Comlartilhe com seus amigos e familiares e vamos juntos na batalha contra o câncer de próstata.
      Melhoras
      Dr. Bruno Benigno
      CRM 126265

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  2. Existe alguma medicação ou recomendação para o meu caso, ou ainda é muito cedo, para isso.

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    1. Obrigado pela sua pergunta.
      A incontinência urinária de intensidade variada pode ocorrer após a cirurgia.
      A recuperação vai depender da sua condição de saude antes da cirurgia e se o câncer já havia comprometido o esfíncter urinário.
      Fisioterapia da musculatura pélvica pode acelerar a recuperação mas não é essencial.
      Atenciosamente

      PS: se as informações do blog foram úteis, compartilhe com seus amigos e familiares. Obrigado

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